Pensamentos Aleatórios #2 - A importância do balanço nos relacionamentos / Random Thoughts #2 - The importance of balance in relationships
"Sua linguagem emocional do amor e a de seu cônjuge podem ser tão diferentes quanto o chinês é do português." - Gary Chapman
-----
A importância do balanço nos relacionamentos
Ultimamente, deparei-me com vários posts falando/reclamando sobre relacionamentos, sejam amorosos, familiares ou com amigos. Algumas pessoas acreditam que tudo bem nem sempre estar disposto a atender algum chamado, já outras afirmam que quem realmente se importa, vai arranjar tempo. Vou falar um pouco da minha opinião sobre essas duas afirmações e, assim, fazer uma conexão com a frase de hoje.
[Antes de começar, quero deixar bem claro que muito do que trago está vindo a partir do que vejo no meu dia-a-dia, na minha realidade, nas minhas redes sociais. O que escrevo hoje não se aplica à todas as situações e podem variar de acordo com o contexto, mas, muitas vezes, vi pessoas pensando que apenas elas estavam sendo injustiçadas, ignorando que o outro tem as próprias necessidades.
Ambos os conceitos, "tudo bem nem sempre estar disponível" e "quem realmente se importa, arranja tempo", podem parecer simples e não precisam ser levados tão a sério, mas em vários posts e comentários, vi pessoas tomando eles ao pé da letra, afirmando que ninguém é confiável, que ninguém presta, que você só pode confiar em si mesmo ou coisa do tipo. Devo dizer que minha crítica é voltada principalmente àqueles que não entendem que cada um tem demandas diferentes. Sim, há pessoas negligentes, egoístas e malvadas, mas devemos saber distinguir.
Espero que não vejam esse post como um ataque, mas sim uma tentativa de fazer com que todos (eu inclusive) façam uma auto-reflexão, pensando tanto nos nossos pontos fortes quanto nos nossos pontos fracos. Somos todos humanos, então temos falhas, mas também temos capacidade de ser melhores e, como minha psicóloga fala, não ser um "eu ideal", mas sim, um "eu possível".]
Primeiramente, não podemos confundir "auto-cuidado" com "egoísmo/narcisismo". Claro, existem várias pessoas que pensam que o mundo gira em torno delas, e é bem fácil perceber quem é e quem não é assim. Entretanto, se você tem alguém que te ajuda frequentemente, te chama pra sair, te manda memes, te ampara nos momentos difíceis, mas, um dia, acaba tendo que desmarcar de última hora porque "hoje ela não quer", eu não diria que essa amiga é negligente. Claro que é uma situação chata e ninguém é obrigado a gostar disso, mas uma coisa é ser uma pessoa que faz nada pelos outros e mente do porque não quer fazer algo, outra coisa é ser sincera e vez ou outra fazer algo chato, mas ainda assim busca fazer o melhor que pode pelos outros e, às vezes, até tenta compensar por essas "furadas".
Ninguém é de ferro, então nem sempre temos disposição ou energia para atender os demais. O que me irrita em alguns posts e comentários nas redes sociais é isso: pessoas que não entendem que os outros podem estar ocupadas, lidando com algum problema pessoal ou simplesmente não querem e, por isso, não podem atendê-las naquele momento. As pessoas vão te frustrar, é normal, mas é interessante perceber que nós também podemos estar frustrando os outros quando insistimos muito. Ao mesmo tempo, você não precisa sempre aceitar esse comportamento, por isso, converse com a pessoa. É essencial ouvir o ponto um do outro e chegar em um consenso para que ambas as partes fiquem felizes.
Vou falar um pouco de mim, para deixar mais claro o que estou dizendo: sou uma pessoa super caseira, gosto de fazer rolês na minha casa ou na dos outros, no qual podemos sentar, ficar conversando, comendo, jogando ou assistindo algo. Porém, tenho um namorado que adora sair e eu até gosto de acompanhá-lo, mas não é sempre que eu tenho energia ou vontade para ir. Eu tento sair com ele o máximo que consigo, mas, quando vejo que estou no meu limite (às vezes até além), já aviso e fica tudo bem. Muitas vezes, ele faz uns rolês com os amigos e me convida, mas, quando não quero, deixo isso claro; ele não fica chateado que eu não vou com ele, enquanto eu não fico chateada que ele está saindo sem mim. Assim, ele supre a vontade dele de sair e eu supro a minha vontade de ficar em casa. Tem alguns dias que eu desmarco em cima da hora, mas estou disponível para conversar se isso for um problema. Diante disso, eu sou egoísta?
Ele e eu conversamos muito sobre como funcionamos e do que gostamos e, por isso, respeitamos o que o outro quer. Claro que, vez ou outra, eu tenho que me esforçar mais para fazer o que ele quer, bem como, vez ou outra, ele tem que se esforçar mais para fazer o que eu quero, mas, na maioria das vezes, fazemos o que ambos querem (até porque temos interesses muito parecidos); esse é um balanço fundamental não apenas para relacionamentos amorosos, mas também com outras pessoas próximas.
Tem uma metáfora ótima que minha psicóloga traz: relacionamento é como dirigir; uma hora você está no volante, outra hora você está no banco do passageiro. É importante revezar, mas, às vezes, você vai ter que dirigir por mais tempo que a outra pessoa e, outras vezes, é ela quem vai dirigir mais. Nem sempre ser 50-50 dá certo e isso pode ser muito frustrante. Porém, se só você está dirigindo, fica bem claro que a pessoa não está se esforçando para que vocês percorram aquela estrada juntos.
É por isso que eu não gosto desses posts e comentários falando que "quem realmente se importa, arranja tempo", justamente porque vi muitas pessoas desprezando quem quer tomar um tempo para si em certas ocasiões. Quem realmente nos valoriza vai tentar o máximo que pode, mas precisamos entender que nem sempre essas pessoas vão estar mentalmente dispostas para estar 100% presentes. Cada um é diferente, alguns podem passar de seus limites sem problemas, já outros precisam de mais tempo para eles mesmos, tem alguns que acabam fazendo os dois; não adianta botar as pessoas numa mesma caixinha e aplicar as mesmas regras para todas.
Se aquela pessoa que você gosta, que sempre te amparou em vários momentos, um dia te dizer "não", não é o fim do mundo, repito, não é o fim do mundo. Isso apenas mostra que, naquele momento, ela não pode/consegue e não quer dizer que você significa menos para ela ou algo do tipo. Se tiver dúvidas, pergunte, ouça, fale sobre seu ponto de vista. É fundamental que vocês se entendam para que o relacionamento continue bem, sem ressentimentos. Precisamos diferenciar o que é demanda nossa e o que é demanda dos outros. Estou cobrando porque a pessoa realmente está sendo negligente ou porque sou uma pessoa que precisa de mais atenção? Será que consigo suprir o necessário para mim sem exigir demais do outro? Será que a pessoa também está se sentindo valorizada?
Agora, fazendo uma conexão com Gary Chapman, vou fazer uma breve reflexão sobre a frase que introduziu esse post, pois acredito que ela se aplica para todos os relacionamentos mais próximos. Chapman traz o que ele chama de 5 linguagens do amor, que são: palavras de afirmação, tempo de qualidade, presentes, atos de serviço e toque físico (caso queira saber mais, recomendo ler o livro dele).
Digamos que seu amigo adora receber e dar abraços, mas você não gosta por falta de costume. A não ser que você tenha algum trauma em relação a toques, acredito que você consegue se esforçar vez ou outra para abraçar ou receber um abraço dessa pessoa tão querida. Além disso, você prefere ouvir elogios ou palavras de encorajamento e nota que seu amigo, apesar de não estar acostumado, está se esforçando para falar algo que te agrade.
É isso que a frase me faz pensar: eu me sinto compreendida e valorizada de um jeito, enquanto o outro sente isso de outro jeito. Não adianta eu forçar a pessoa a falar a minha linguagem do amor, bem como não adianta ela me forçar a falar a linguagem dela; cada um deve se esforçar para falar a linguagem do outro da forma que consegue, mostrando que se importa. Por isso, temos que ser pacientes, ter compaixão e empatia, pois cada um tem um ritmo diferente.
Acredito que a diversidade, seja de gênero, sexualidade, religião, cultura, gosto, personalidade, mania, etc., é o que nos torna tão únicos, tão autênticos. Por isso, fico triste quando coisas que deveriam ser simples são tão difíceis. Às vezes, temos dificuldade de falar sobre o que sentimos por medo do que o outro vai dizer, medo de sermos julgados, ignorados ou levar uma bronca; às vezes não sabemos como conversar ou o que dizer. Infelizmente, não são todos que querem ter conversas honestas e falar do que está incomodando, mas, quando você encontra alguém que consegue compartilhar isso com você sem ressentimentos (pelo menos nada que dure muito tempo), um peso é tirado das costas e você se sente mais próximo dessa pessoa. E isso sim é o que eu chamaria de uma conexão genuína: pessoas que conversam sem medo e fazem um esforço para entender um ao outro.
Enfim, esse foi um mega desabafo (reclamei de pessoas que reclamam - não me arrependo). Tentei deixar o que sinto sobre o assunto o mais claro possível. Fiquem à vontade para concordar, discordar ou achar um meio termo. Obrigada por ler até aqui. 💖
*****
"Your emotional love language and the language of your spouse may be as different as Chinese from English." - Gary Chapman
-----
The importance of balance in relationships
Lately, I came across several posts talking/complaining about relationships, whether romantic, family or with friends. Some people believe that it's okay if you're not always willing to help everybody, while others claim that if you really care, you will make time. I'm going to talk a little bit about my opinion on these two statements and, thus, make a connection with today's quote.
[Before starting, I want to make it crystal clear that a lot of what I'm bringing here is coming from what I see in my daily life, my reality, my social media. What I'm writing today doesn't apply to every situation and can vary depending on the context, but, many times, I've seen people thinking that only they were being wronged, ignoring that the other have their own necessities.
Both concepts, "it's okay if you're not always available" and "who really cares, make time", may seem simple and don't need to be taken too seriously, but in several posts and comments, I've seen people taking them literally, saying that no one can be trusted, no one is any good, and you can only trust yourself or something like that. I must say that my criticism is mainly aimed at those who don't understand that everyone has different demands. Sure, there are negligent, selfish and evil people, but we must know how to distinguish them.
I hope y'all don't see this post as a personal attack, but an attempt to make everyone (myself included) have some self-reflection, thinking about our strengths and weaknesses. We're all human, so we have flaws, but we also have the ability to be better and, as my therapist says, not to be an "ideal me", but a "possible me".]
First and foremost, let's not mix up "self-care" with "egoism/narcissism". Of course there are many people who think the world revolves around them, and it's pretty easy to see who is and who isn't like that. However, if you know someone who often helps you, invites you to go out, sends memes, gives support during difficult times, but, one day, ends up canceling plans at the last minute because "today they don't feel like going out", I wouldn't say this friend is negligent. Of course it's a bothersome situation and no one is obligated to like it, but one thing is to be a person who does nothing for others and lies about why they don't want to do something, another is being honest and troublesome once in a while, but still trying the best they can for others and, sometimes, even attempting to make up for those inconveniences.
No one is made of steel, and it's not everyday that we want to or have the energy to help others. What bothers me about some posts and comments on social media is this: people who don't understand that others may be busy, dealing with personal issues or simply do not want to and, therefore, can't be there for them at the moment. People will frustrate you, it's normal, but it's also important to recognize that we can also be frustrating others when we insist too much. At the same time, you don't have to always accept this behavior, so talk with the person. The key is to see each other's point of view and find an agreement so that both parties are happy.
I'm going to talk a little bit about myself to illustrate what I'm saying: I'm a homebody person, I like hanging out at my or other's home, where we can sit, talk, eat, play or watch something. However, I have a boyfriend who enjoys going out and I even like to tag along, but I don't always have the energy or desire to do so. I try to hang out with him as much as I can, but, when I see that I'm at my limit (sometimes even beyond it), I tell him and he's okay with it. He often goes out with his friends and invites me, but when I don't want to go, I explain it; he doesn't get upset that I'm not going with him, whereas I'm not upset that he is going out without me. That way, he goes out as he pleases and I stay at home as I please. Some days, I cancel at the last minute, but I am available to talk if that is a problem. That being said, am I selfish?
He and I talk a lot about how we function and what we like, that's why we respect what the other wants. Of course, every now and then, I have to try harder to do what he wants, as well as, every now and then, he has to try harder to do what I want, but most of the time, we do what we both want (since we have very similar interests); this is a fundamental balance not only for romantic relationships, but also with others who are close to us.
There's a great metaphor that my therapist brings up: relationships are like driving: one minute you're behind the wheel, the next you're in the passenger's seat. It's important to take turns, but, sometimes, you'll have to drive a little more than the other person, and, other times, they'll have to drive more. Being 50-50 doesn't always work and that can be very frustrating. However, if you are the only one driving, it's pretty clear this person is not making an effort to drive along that road with you.
That's why I don't like these posts and comments saying that "who really cares, makes time", exactly because I've seen many people despising those who want to take time for themselves on certain occasions. Those who really care about us will try as much as they can, but we need to understand that they are not always going to be mentally available to be 100% there for us. Each one is different, some can go beyond their limits without problems, while others need more time for themselves, and there are some who end up doing both; it's no use putting people in the same box and apply the same rules to everyone.
If the person you like, who has always had your back many times, says "no" one day, it's not the end of the world, I repeat, it's not the end of the world. It just shows that, at that moment, they can't do it and that doesn't mean you mean less for them or anything like that. If you have doubts, ask, listen, talk about your point of view. It's important that you understand each other to keep the good relationship, without resentment. We need to differentiate what is our demand and what is the others' demand. Is the person truly being negligent or am I someone who needs more attention? Can I satisfy what I need without demanding too much from the other? Is that person feeling valued as well?
Now, making a connection with Gary Chapman, I will briefly reflect on the quote that introduced this post, as I believe it applies to all close relationships. Chapman talks about something he calls the 5 love languages, which are: words of affirmation, quality time, receiving gifts, acts of service and physical touch (if you want to know more, I recommend reading his book).
Let's say that your friend loves to receive and give hugs, but you don't, since you're not used to it. Unless you have some trauma related to touch, I believe you can make an effort every now and then to hug or receive a hug from this dear person. Also, you prefer to hear compliments or words of encouragement and you notice that your friend, despite not being used to it, is trying to say something that pleases you.
That's what the quote makes me think about: I feel understood and valued in one way, while the other feels it in another way. If I force them to speak my love language, or if they force me to speak their language, it won't work; each of us should try to speak the other's language as best as we can, showing that we care. That's why it's important to be patient, have compassion and empathy, because everyone has a different pace.
I believe that diversity, whether of gender, sexuality, religion, culture, taste, personality, habits, etc., is what makes us so unique, so authentic. That's why it makes me sad when things that should be simple end up being so difficult. Sometimes, we find it hard to communicate what we are feeling, because we are afraid of what the other person will say, we are afraid of being judged, ignored or getting scolded; sometimes we don't know how to talk or what to say. Unfortunately, not everyone wants to have honest conversations and talk about what has been bothering them, but when you find someone to talk to without hard feelings (at least nothing that lasts long), a weight is lifted off your shoulders and you feel closer to that person. And that's what I would call a genuine connection: people who talk without fear and make an effort to understand each other.
Anyway, I got a lot off my chest (I complained about people who complain - no regrets). I tried to make what I feel about this topic as clear as possible. Feel free to agree, disagree or find a middle ground. Thank you for reading this far. 💖
Que texto incrível, obrigado por escrever
ResponderExcluirMuito obrigada, fico feliz que tenha gostado! :D
ExcluirTava esperando pelo texto, parece que saiu diretamente de um livro do chapman, e só tem verdades. Quem discordar possivelmente está em uma situação bem difícil e podem acabar se identificando e se extressando. Maravilhosa
ResponderExcluirBem isso, se a carapuça servir... Kkkkk
ExcluirLi um tempo atrás e reli de novo, encarar as nossas verdades é bastante doloroso, mas com a ajuda de pessoas certas, conseguimos! Parabéns, você escreve muito bem !!
ResponderExcluirThanks! É realmente uma autorreflexão importante até pra gente ficar bem com nós mesmos
Excluir